quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

É tempo


Tempo de varrer a poeira
de retirar do armário o vestido suntuoso
Tempo de saltar sobre as cinzas do fogo apagado
Tempo de deitar fora as tristezas antigas que já não servem mais
É tempo
de se olhar em paz para a imagem do espelho
de não vislumbrar as rugas, os cabelos brancos
e sim a vida que este tempo representou
É tempo de contar as bençãos,
de arar os novos campos
de semear a boa semente
e esquecer que o inverno veio
ante a morna luz da manhã que acalenta os teus sonhos
É tempo de sonhar tão alto
que se vislumbrem apenas as nuvens lá de cima
que o teu sonho esteja guardado entre as macias auroras
sobre caminhos de algodão
É tempo de soltar a voz
em canto
de despir-se das mazelas, das concupisciencias
de andar tão leve que voando
É tempo de parar ante a beleza da florzinha da grama
de observar as formigas,
tempo de não contar estrelas,
todas parte de um mesmo céu
tão ao alcance das tuas mãos
É tempo de rir com a simplicidade das crianças
com a imaturidade de um coração que ama
tempo de cadenciar teus passos
ao compasso do piano
tempo de rodopiar em volupias de alegria
Tempo de abraçar tuas Marias
de deitar no colo da tua mãe
e sentir a proteção do teu pai
é tempo de lembrar das minas puras
esquecer das garrafas confinando vida
tempo de desprender o gênio
de agradecer aos sábios o silencio
tempo de renascer do pó
brotar das cinzas e florescer ao novo
agradecendo ao que te ensinou o que se finda

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